quinta-feira, setembro 06, 2012

Não sou Machista: Um Breve Esclarecimento


Ontem foi um dia atípico. Participei de uma formação do Instituto em que trabalho, onde o foco era a garantia dos Direitos Humanos. No período da tarde, a proposta era debater sobre a questão da Homofobia. Inicialmente, a mediadora fez um levantamento de adjetivos usados para homens e mulheres e começou a partir daí uma discussão sobre gêneros e o porque do Masculino se sobrepor ao Feminino. Qual a razão pra que isso ocorra na sociedade?

Pedi a palavra para falar e disse que a origem dessa dominação se deu a vários e vários anos atrás, quando na formação político e social dos seres humanos (Neolítico e Idade dos Metais) a força bruta imperava. Por ser o homem, biologicamente, mais forte que a mulher (fato inegável e que chega a ser ridículo a tentativa de refutá-lo) surge então essa construção cultural Patriarcal, ou melhor dizendo, Machista. Pra que eu fui falar isso?

Fui censurado e veladamente taxado de machista. Um dos participantes disse que era perigosa essa minha análise. Qual o perigo? Não estava de maneira nenhuma justificando a desigualdade de direitos embasada na diferença de gêneros; Pelo contrário: Minha tentativa era com isso tornar claro o quanto obsoleta é essa conjuntura do “Poder do Macho”, uma vez que nossa sociedade não tem mais a necessidade de resolver suas questões mediante a força. Já não somos mais “selvagens”.

Só que começaram a apresentar uma série de argumentos na tentativa de refutar minhas palavras que na verdade só corroboravam o que eu tinha dito. Primeiro; Uma integrante questionou o motivo das mulheres não participarem das atividades mais “pesadas”: Será que a mulher não fazia a mesma coisa porque não tinha espaço? Aí eu me perguntei: E porque ela não tinha espaço? Porque o homem a dominou e negou esse direito. Não digo que a mulher seja incapaz de fazer, ela faz quase tudo que um homem faz, porém com menos intensidade de força. Vou dar um exemplo prático: Ambos os sexos jogam vôlei. Mas a medida da rede não é a mesma para as modalidades feminino e masculino. O fato dela não ter espaço se deu ao fato de que o “mais forte”- fisiologicamente falando- não a permitiu.

Outro participante disse que minha construção histórica era tendenciosa por ter sido contada pelos homens. Mais uma vez, estava confirmando minha tese: A História, via de regra, é sempre contada pelo dominante. É evidente que essa sobreposição masculina acontece na formação da sociedade, quando a Violência imperava na garantia da Sobrevivência. Isso explica porque grande parte dos povos e culturas, muitos deles sem nunca terem se relacionado entre si, adotaram o modelo Patriarcal para compor a esfera social. Lógico que há exceções e o matriarcalismo simultaneamente existiu. Só que não podemos fazer essa análise partindo da exceção.

O Estado é uma ampliação da família. Sendo assim, o núcleo familiar é a célula mátria da sociedade. Não são poucos os autores que escreveram sobre isso e que adotaram a Teoria da Força como originária no poder estatal. Entre eles temos: Thomas Hobbes, Jean Bodin, Lester Ward, Cornejo e muitos outros. Entender a origem da dominação masculina é entender que ela deve ruir imediatamente. É saber que a desigualdade de gêneros é prejudicial a todos e assim entrar na luta para que se iguale os direitos dos homens e das mulheres.

Os direitos básicos são uma conquista dos seres humanos e não de determinado segmento sexual. Não somos mais os hominídeos que guerreavam pelo fogo. Basta! Não sou machista, não sou feminista, nem LGBT. Sou a favor da humanidade vivendo em pé de igualdade política, jurídica, trabalhista e financeira. E espero ter sido claro, pois é muito ruim não ser compreendido e o pior, ser rotulado de algo que você não é. Nunca mais quero me sentir o “Coronel Jesuíno” da novela Gabriela. Só que agora vocês me dão licença que eu vou cagar.

2 comentários:

  1. Concordo! (alguma antropóloga feminista acaba de ter uma parada cardíaca). Não vejo nenhum problema em admitir uma diferença biológica, porém, essa diferença não pode ser usada pra JUSTIFICAR uma DESIGUALDADE! Não sei porque as feministas se escandalizam quando falam da CLARA diferença biológica entre homens e mulheres! Essa diferença de força não pode ser usada pra justificar o machismo.A força hoje, não pode ser um fator discriminatório, pois, assim como você bem colocou, não somos mais os hominídeos que guerreavam pelo fogo. Nossa subjetividade é nos move! Não tô levantando a bandeira "Thiago o super feminista", mas não podemos deixar que um discurso legítimo (das mulheres contra as desigualdades de gênero) se traduza nessa intolerância.

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  2. "nossa subjetividade é o que nos move"

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