quinta-feira, março 28, 2013

O Sagrado Se Tornou Hilário



Uma banda chamada Palavrantiga tem uma música que começa com a seguinte frase: “É que o sagrado se tornou hilário.” Logo quando escutei, tornou-se uma das minhas favoritas do álbum entitulado “Sobre o Mesmo Chão”. De fato, Marcos Almeida, que é vocalista e letrista, tem toda razão ao fazer essa afirmação. Essa semana, denominada “santa” é uma prova disso. Afinal, onde está a sacralidade? Tirando alguns religiosos, a maioria das pessoas vai aproveitar pra encher a cara e curtir centenas de shows de forró, axé, sertanejo universitário e etc.

O contrassenso é enorme. Em Gravatá-PE, o patrocínio oficial da Semana SANTA, é uma marca de cerveja que tem o nome antagônico ao da festa: DEVASSA. E não para por aí: Uma das atrações principais é a banda Garota SAFADA. Realmente, parece uma tremenda gozação, não acham? O Cristo, morto e ressurreto, talvez nem seja lembrado. Na melhor das hipóteses, confundido com um ator global na Paixão de Nova Jerusalém. Onde o seu martírio ao invés de levar os homens à reflexão, faz surgir rajadas de flash’s que acabarão no Facebook ou Instagran.

O peixe, o vinho e até o chocolate não podem faltar. Pois a mídia incita você a não passar a Páscoa sem esses produtos. Em contrapartida, ninguém se dá conta da falta da fé, da reverência e da gratidão que deveríamos expressar ao comemorarmos o evento que trás Redenção aos pecadores. Assim como havia os que zombavam do Mestre durante a dolorosa crucificação. Nesses dias, hão de aparecer outros que com desdém irão ridicularizar o martírio e a vitória sobre a morte do Nazareno.

Mas como ocorreu há mais de dois mil anos, onde o perdão foi concedido, da mesma forma acredito no renovo de sua misericórdia para com aqueles que desprezam ou escarnecem o advento do Calvário. Aliás, o perdão é a sua especialidade, e o seu amor é incondicional. Daí me lembro de outra canção do Palavrantiga que diz: “Misericórdia, Graça e um cálice de amor, estão na minha mesa antes do sol se pôr.”  Isso sim é Páscoa, sem comicidade alguma...

2 comentários:

  1. Pois é, rapaz...parece que a marca da modernidade é o assassinato da essência. Belo texto!

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  2. Sagrado é uma das minhas músicas preferidas. Gosto de escutar Marcos Almeida porque ele canta poesia e verdade...

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