domingo, outubro 27, 2013

BatePapo com João Alexandre

João Alexandre é sem sombra de dúvidas um dos músicos mais talentosos de nosso país. Dentre os cristãos confessionais, talvez o maior. Suas melodias e letras nos causam diferentes sensações, desde bem-estar até a perplexidade. Não diz apenas o que os ouvidos gostariam de ouvir...Não! Ele também cutuca, instiga e reverbera em nós um clamor "em nome da justiça, por obras de justiça."

O cara que cantou "É proibido pensar" quando muitos seguiam cegamente os "falsos chamados apostolados" concedeu esse papo "responsa" ao Batedeira. João, o violeiro, fala sobre música, sua área. Na conversa diz que não existe diferença entre música religiosa e profana, que o Gospel se perdeu devido aos interesses mercadológicos, cita nomes para se ouvir e apreciar, fala sobre a influência da música nordestina e dá um conselho para aqueles que estão começando a tirar suas primeiras notas. Fique a vontade para curtir o BatePapo.

João, a tua sonoridade é respeitada por artistas como, por exemplo, o Ed Mota, que te elogiou via twitter. Você se empenha em quebrar essa barreira música secular/música religiosa?

Pra mim não existe música religiosa nem profana, existe música boa ou música ruim! Como também não existe um Ré menor profano e um Mi maior divino! Saber diferenciar uma coisa da outra é pra poucos ouvintes, poucos mesmo! O povo cristão, por sofrer dessa falta de julgamento, não poucas vezes, infelizmente “engole” tudo o que é supostamente “evangélico”, mesmo que seja mal feito e despreza tudo o que não é “evangélico”, mesmo que bem feito!

Quanto aos elementos da música (letra, melodia, harmonia e ritmo), seja ela qual for e de quem vier, é preciso seguir a Palavra de Deus, examinar tudo e reter o que é bom!  Particularmente, me empenho em ser um bom profissional, já que vivo disso e procuro fazer música de qualidade, respeitando os ouvidos de quem me ouve, dentro de minhas limitações, ao invés de me aproveitar da música, coisa que muita gente tem feito mundo afora! Fazer música é diferente de se aproveitar da música!

Ultimamente o que você tem escutado?

Nada especificamente e tudo se for preciso! Depende do trabalho em que estou me envolvendo, gravação, apresentação, com a banda, etc...Confesso que hoje o silêncio é ouro pra mim... tô ficando velho! Como indicação, sugiro qualquer músico genuinamente brasileiro e cito como exemplos, Ivan Lins, Djavan, Milton Nascimento, Toninho Horta, entre outros e a obra de Dori Caymmi, filho de Dorival Caymmi, compositor, intérprete, arranjador e violonista reconhecido dentro e fora do país!

E no cenário gospel? Tem gente boa pra escutar?

Claro que tem: Stenio Marcius, Diego Venâncio, Fabinho Silva, Baixo e Voz, Gerson Borges, Roberto Diamanso, Arlindo Lima, Ju Bragança, Glauber Plaça, Jorge Camargo, Gladir Cabral, e por aí vai...

Existem aqueles que dizem que sua crítica ao gospel é "dor de cotovelo". O que tem a dizer sobre isso?

Só tenho uma santa inveja de quem é relevante, profundo, pertinente e verdadeiro! Se um dia a música “GOSPEL”, cujo nome nem brasileiro é, for assim, quem sabe?! Esse movimento se perdeu musicalmente para interesses mercadológicos há muito tempo! Quem está dentro dele sabe disso e só continua lá por conveniência financeira e midiática também!

Você tem vínculos denominacionais? Como enxerga esse movimento chamado Igreja Orgânica?

Acho saudável, desde que nasça do intuito de se manter assim, senão, será aquela história, “pequenas igrejas, grandes negócios”...

Vejo que o Nordeste ocupa boa parte da sua agenda. Quais elementos da cultura nordestina estão presentes em sua obra?

Nem sempre ocupa, alguns anos tenho muita coisa por lá, mas garanto que ocupa meu coração de forma total, pelo respeito que existe naquela região pela cultura local e pela música nordestina, tão bem citada por Gerson Borges no seu CD “NORDESTINAMENTE”! Todo verdadeiro músico brasileiro tem que reconhecer e se deixar influenciar pela obra de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e mais recentemente o mangue beat, entre outros...

O que tem vontade de fazer que ainda não fez?

Mano, que pergunta difícil! Acho que já fiz bastante nesses 30 anos de viagens, apresentações e gravações também. Louvo a Deus por viver de tudo que compus há décadas atrás ainda hoje, então, só quero continuar fazendo o que faço com dedicação, carinho e amor à Deus e à Música que Ele me dá! Quero ficar mais em casa, isso com certeza, já estou bem cansado de viajar!

Encerrando o papo: Qual conselho você daria para os jovens que estão tirando suas primeiras notas no violão?

Perseverança, acima de tudo, seriedade, juízo, humildade, dedicação e disciplina! Meu filho, modéstia à parte, super pianista, segue esses princípios e tem se tornado um profissional exemplar. Ouvir canções que tenham conteúdo musical rico, músicos que fizeram história em seus instrumentos e suas composições, opiniões de outros músicos com mais estrada e saber que todo talento é um presente de Deus e tem que ser tratado com carinho e sem arrogância! Acho que tudo isso trará resultados satisfatórios pra quem quer ser músico, profissional ou não!



João Alexandre e o seu companheiro inseparável!

5 comentários:

  1. João Alexandre... meu mestre, professor querido... não há palavras que descrevem este humilde servo do Senhor!!!!
    Minha referência musical. Com ele, aprendi a gostar de muitas outras coisas. Cada dia aprendo mais com ele e com certeza a caminhada será longa!!!!!

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  2. Bela entrevista! Li e vou indicar! Ótimas perguntas!

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  3. Valeu galera!!! Pode compartilhar...pois o João falou algo muito relevante...Precisamos repassar essa ideia!!! Abraço!!!

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  4. O homem é referência no que faz!

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  5. Já ouvi suas canções, tem letras que contam a verdade.

    http://elaecrista.blogspot.com.br/

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